5 lições inesquecíveis do Pequeno Príncipe

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O Pequeno Príncipe é um livro infantil escrito para adultos. Foi escrito de uma forma que não faz sentido para as pessoas que procuram lê-lo apenas pela história em vez do que ele está tentando transmitir. Mas para aquelas cuja intenção é se conectar com o livro e envolver-se com os personagens, há um banquete de conhecimentos e valores ocultos inseridos em cada capítulo. Se você ainda não leu, faça um favor a si mesmo e adquira uma cópia dessa grandiosa obra!

Heróis da vida real

Resolvi falar sobre esse assunto porque, em meio a tantas atrocidades acontecendo, acabamos desacreditando da humanidade. Mas temos que eliminar esse conceito derrotista de nós mesmos, focar e nos espelhar nos exemplos de compaixão e bondade. Afinal de contas, fomos feitos para o bem. Talvez, só nos falte a coragem para mudar o mundo a partir de nós mesmos. Vejamos alguns exemplos para nos inspirar.


Anja Ringgren Lovén

A enfermeira dinamarquesa Anja Lovén, que faz jus ao nome num interessante trocadilho: "Anjo do Amor", ficou mundialmente conhecida após acolher um garotinho nigeriano, com apenas 2 anos, acusado de bruxaria e abandonado pela própria família.

Ela o encontrou desamparado e desnutrido. A enfermeira, então, decidiu levá-lo para sua instituição onde abriga outras crianças abandonadas. Anja recriou a foto tirada no dia em que o conheceu onde aparece nutrido, forte e feliz indo para a escola. Atualmente, Hope (que significa "Esperança") tem um lar, uma família e vive rodeado de amor.


"Você nunca viveu de verdade até fazer algo por alguém que nunca poderá recompensá-lo." Anja Lóven


Caio Vianna Martins

Caio Vianna Martins foi um jovem escoteiro que deu a vida para salvar sua equipe. Ao excursionar de trem com outros escoteiros, este se chocou com outro que vinha em direção oposta, provocando um terrível acidente. Caio recebeu uma forte pancada na região lombar, e mesmo gravemente ferido, decidiu acudir seus colegas. Ao chegar a equipe de socorro no local do acidente, não havia macas para todos. Mas ao ver que ao seu redor havia feridos mais necessitados, Caio recusou ser levado de maca, dizendo: "um escoteiro caminha com as próprias pernas", e acompanhou seus amigos feridos a pé até a cidade. Mas, após o grande esforço físico, com as vísceras lesionadas e uma hemorragia interna, não resistiu vindo a falecer.

Em Barbacena, cidade mineira onde ocorreu o acidente, um busto em sua homenagem foi colocado numa praça. O jovem continua inspirando escoteiros com sua história de bravura e coragem.


Desmond Thomas Doss


Desmond Doss foi um socorrista de guerra que recebeu medalha de honra após salvar a vida de mais de 75 homens de infantaria durante a Batalha de Okinawa em 1945. 

Ainda criança, ao ver o pai alcoolizado portando uma arma de fogo, sua mãe lhe fez o pedido de se livrar da arma após tomá-la das mãos de seu pai. Doss atendeu prontamente a súplica da mãe, e após isso fez a promessa de que nunca mais tocaria em uma arma.

Anos mais tarde, Doss foi recrutado pelo Exército dos EUA, mas se recusava a portar armas, o que deixava a equipe de treinamento irritada. Sua única arma era uma bíblia de bolso, o que fazia dele um alvo de ataques por parte dos companheiros. Mas ao se inscrever no corpo de socorristas de infantaria do exército Americano, logo conquistou o respeito de todos. Nos combates, mesmo sob o risco de morte, jamais abandonava os soldados feridos.

A unidade militar da qual Doss fazia parte, recebeu a missão de captura num despenhadeiro de 120 metros que cercava a frente da ilha de Okinawa e que servia de base para os militares japoneses. Após escalar a montanha, a tropa foi alvejada pelos inimigos. Mas Doss conseguiu retirar mais de 75 fuzileiros feridos do local, arrastando-os e carregando um a um para levá-los até um local seguro, com a ajuda de uma corda.

Porém, sua história não termina em 1945. Houve muitas outras batalhas e vitórias para o herói, como a trágica perda de sua esposa Dorothy, batalhas contra a surdez e o câncer. Porém, Doss viveu com devoção inarredável a seu país, às suas convicções e, acima de tudo, a seu Deus.


 Filme


"Até mesmo os jovens podem esgotar-se e moços robustos podem cambalear, mas aqueles que têm esperança no Senhor, renovarão suas forças. Eles subirão com asas como águias: correrão, e não se cansarão. Eles caminharão, e não se fadigarão." Desmond Doss



Heley de Abreu Silva Batista


A professora, mãe e HEROÍNA Heley de Abreu Silva Batista fez seu corpo de escudo para salvar seus aluninhos do incêndio criminoso que ocorreu numa creche em Janaúba, Norte de Minas Gerais. O próprio segurança do estabelecimento, sem qualquer motivo para tamanha crueldade, jogou líquido inflamável nas crianças e em si mesmo e ateou fogo. E na tentativa desesperada de protegê-las, a professora entrou em luta corporal com o psicopata em chamas. 

Lamentavelmente, a tragédia levou as vidas de 10 crianças e 3 mulheres. Porém, teria havido mais vítimas se não fosse a atitude corajosa e heroica da professora. Infelizmente, com 90% do corpo queimado, Heley não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. Vale ressaltar que outras duas funcionárias auxiliaram a professora no salvamento das crianças, e acabaram perdendo suas vidas também. Essas mulheres devem ser lembradas como heroínas e anjos que viveram aqui na Terra.



Geni Oliveira Lopes Martins


Jéssica Morgana Silva Santos

Helley foi condecorada pelo ato de bravura, e a creche, onde aconteceu a tragédia, foi reformada e transformada em um Centro Municipal de Educação Infantil, que, hoje, leva o nome da professora. Recentemente, uma rodovia também recebeu seu nome.


Creche Helley de Abreu


Vídeo com relatos emocionantes de parentes das vítimas




Anjos não necessariamente possuem asas, apenas o desígnio de salvar. 


Irena Krzyzanowski Sendler


Se existe uma palavra que possa resumir a história dessa simpática senhorinha, heroísmo é essa palavra. Conhecida como "anjo do gueto de Varsóvia", a polonesa Irena Sendler, já era ensinada desde jovem que o ato de ajudar devia ser para todos, independente da classe social, religião ou nacionalidade. 

Quando o exército nazista invadiu a Polônia, Irena trabalhava como assistente social em Varsóvia. Em 1942, os alemães criaram um gueto, onde os judeus ficavam enclausurados vivendo sob condições miseráveis. Quando se tornou proibido atender aos judeus, ela se integrou a uma organização clandestina denominada Zegota, na qual organiza e lidera um grupo de voluntários poloneses que diariamente, esquivando-se dos agentes alemães, entravam e saíam do gueto, salvando assim mais de 2 mil criancinhas judias. 

Irena trabalhou incansavelmente para aliviar o sofrimento de milhares de pessoas, tanto judias como católicas. Mas sua bondade lhe reservava um preço alto. Quando os nazistas souberam de suas atividades, ela foi presa pela Gestapo e brutalmente torturada por se negar a entregar seus colaboradores e crianças ocultas. Foi então condenada à morte por fuzilamento. Mas, enquanto esperava pela execução, um soldado alemão a ajudou a fugir.

Seu nome entrou para a lista de poloneses executados. Os membros da Zegota tinham conseguido impedir sua execução subornando os guardas alemães. E usando uma nova identidade, Irena trabalhou como enfermeira em um hospital público de Varsóvia até a retirada das tropas alemãs da Polônia. As crianças a conheciam pelo codinome "Jolanta". 

Após a guerra, Irena foi professora em escolas de saúde de Varsóvia e trabalhou no Ministério da Educação, coordenando programas sociais que amparavam crianças, idosos e prostitutas. Anos depois, quando sua fotografia saiu num jornal, após ser premiada pelas suas ações humanitárias durante a guerra, uma das pessoas salvas por ela a reconheceu. E dali em diante, passou a receber muitos reconhecimentos públicos. Apesar disso, Irene nunca se considerou uma heroína. Dizia: "Continuo com a consciência pesada por ter feito tão pouco." 

Somente em 2007, a Polônia lhe prestou uma homenagem solene e seu nome foi proposto ao prêmio Nobel da Paz. Mas devido ao seu estado de saúde delicado, Irena não pôde comparecer à cerimônia, enviando em seu lugar uma sobrevivente salva por ela quando bebê, para ler uma carta em seu nome: "Convoco todas as pessoas generosas ao amor, à tolerância e à paz, não somente em tempos de guerra, mas também em tempos de paz"escreveu.

Irena Sendler faleceu em 2008, aos 98 anos.



Filme

"Cada criança salva com a minha ajuda e a ajuda de todos os voluntários secretos incríveis, que hoje não estão mais vivos, é a justificativa da minha existência nesta Terra, e não um título para a fama."


Jonas Edward Salk



Jonas Salk foi um pioneiro no campo da pesquisa médica. Sua pesquisa se concentrou na criação de vacinas. Dedicou longos anos de sua vida a pesquisar sobre a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, doença causada por um vírus que afetava os nervos e a coluna vertebral paralisando e até levando à morte muitas crianças na metade do século XX. 

Desde pequeno, Salk afirmava que se interessava "pelas leis da natureza", e "o impressionavam as tragédias da vida, para continuar indiferente ao que acontecia ao próximo", o que o estimulou a realizar algo positivo em prol da humanidade. Dito e feito, suas contribuições para a ciência e medicina fizeram do mundo um lugar melhor para se viver, pois a poliomielite deixou de ser uma ameaça para milhões de crianças.

Salk começou a pesquisar vacinas em 1942. Na década de 1950, desenvolveu a vacina contra poliomielite e testou-a em uma grande quantidade de pessoas, inclusive em si próprio e sua família. Felizmente, sua criação se mostrou eficaz, e em 1955 milhares de crianças a receberam. O sucesso de sua vacina fez dele um herói.

Salk versus Sabin

A vacina de Jonas Salk, que usava um soro injetável contendo vírus mortos, era de preparo mais fácil e rápido. Foi testada pela primeira vez em 1952.  A vacina de Albert Sabin, que continha vírus vivo atenuado e era administrada por via oral, ficou pronta em 1961. Esta daria uma imunidade superior e mais prolongada, entretanto, as duas são eficazes e usadas até hoje nos EUA. 
Ao ser questionado sobre de quem era a patente da vacina, Salk respondeu: "Do povo. Não há nenhuma patente. Você poderia patentear o Sol?"

Na década de 80, Salk dedicou-se ao desenvolvimento de uma vacina contra outra doença grave: a Aids. "Não podia parar; a pessoa fracassa se pára cedo", afirmava. Em 1994, menos de um ano antes de sua morte, dizia que havia feito "progressos enormes". Mas em 1995, lamentavelmente, um ataque cardíaco interrompeu sua honrosa jornada.

"Nossa maior responsabilidade é a de sermos bons antepassados." Jonas Salk 



Philipp Ignaz Semmelweis



Philipp Semmelweis foi considerado o "pai da antissepsia" e "salvador das mães". Em 1840, o médico húngaro tentou implementar um sistema de lavagem das mãos em hospitais de Viena para reduzir as taxas de mortalidade nas maternidades. Porém, sua tentativa fracassou, e acabou o resto dos seus dias num manicômio. 

Na maternidade em que medicava, Philipp notou que a taxa de mortalidade materna registrada na enfermaria onde atuavam os médicos era muito superior à da enfermaria onde atuavam as parteiras. Este fato o intrigou de tal forma que começou a estudar os fatores que pudessem levar a essa situação. Mas também era preciso estar entre o que faziam os médicos e o que faziam as parteiras.

E o médico, finalmente, observou que seus colegas faziam autópsias e depois realizavam partos sem higienizarem as mãos adequadamente. Consequentemente, infectavam as mães com as bactérias dos cadáveres. Então, ele passou a pedir a todos que lavassem suas mãos com uma solução de cal e cloro entre uma atividade e outra.

Por conseguinte, a taxa de mortalidade de partos realizados por médicos despencou. Mesmo assim, Philipp não conseguiu convencer todos os colegas de que os incidentes de febre puerperal estavam relacionados à contaminação causada pelo contato com cadáveres. Para eles, sua teoria de que "partículas invisíveis" contidas nas mãos teriam levado todas aquelas mulheres à morte era absurda. Nada se sabia sobre os germes.

Na realidade, jamais admitiriam que foram culpados. Após várias resenhas negativas sobre um livro que ele publicou sobre o assunto, Philipp criticou seus algozes e rotulou de "assassinos" os médicos que lhe ignoraram.

Quando seu contrato não foi renovado no hospital de Viena, retornou à Hungria, onde assumiu o cargo de médico honorário na enfermaria obstétrica de um pequeno hospital. Chegou a dar aulas no local, onde a propagação da febre puerperal era desenfreada, até que praticamente a eliminasse. 

Nem a crítica contra sua teoria, nem a revolta de Philipp contra a falta de boa vontade de seus colegas em adotar seus métodos de antissepsia diminuíram. Ele sempre voltava à questão da febre puerperal, mas era ignorado. Em virtude disso, o médico mergulhou numa depressão profunda. 

Um dia, levianamente, um colega o conduziu até um manicômio em Viena, sob o pretexto de que visitariam um novo instituto médico. Quando Philipp percebeu o que estava acontecendo, tentou escapar, mas foi covardemente espancado, vestiram-lhe uma camisa de força e o colocaram numa cela escura. 

Duas semanas depois, o médico morreu devido a um ferimento na mão que gangrenou. Infelizmente, ele não teve papel nas mudanças que seriam realizadas pelos pioneiros antes da teoria dos germes, como Louis Pasteur, Joseph Lister e Robert Koch.

Os conselhos de Philipp só se tornaram uma boa prática após sua morte. Infelizmente, é preciso uma situação como a que estamos vivendo (epidemias e pandemias) para Philipp receber o devido reconhecimento e darmos mais valor a coisas que simplesmente não compreendemos.

"Quando revejo o passado, só posso dissipar a tristeza que me invade imaginando o futuro feliz em que a infecção será banida... A convicção de que esse momento deve chegar inevitavelmente mais cedo ou mais tarde alegrará o momento da minha morte." Philipp Semmelweis


Rachel Joy Scott



Rachel Scott era uma estudante americana e foi a primeira vítima assassinada no massacre na escola Columbine, em Colorado (EUA), além de outros 12 alunos e um professor, em 1999.

Rachel era uma jovem com sonhos, expectativas e incertezas como qualquer outra. Seu diferencial era levar palavras de amor e aceitação a quem conhecia. Desde criança, ela sentia necessidade de ajudar as pessoas. Demonstrava preocupação com o bem-estar de todos, principalmente se estivessem tristes ou carentes.

Rachel era sociável e mostrava grande talento para arte, chegando a integrar clubes de teatro. Era também cristã devota. Ocasionalmente, sofria zombarias dos colegas e chegou até mesmo a perder amizades por causa de sua fé. Ela também era membro ativo nos grupos de jovens da igreja.

De acordo com seus amigos, Rachel era bem humorada e divertida. 
O conteúdo de seus diários descobertos após sua morte, revelou sua visão positiva, compassiva e piedosa sobre a vida. Embora alguns textos relatassem experiências compartilhadas com amigos, grande parte do conteúdo foi dedicado aos esforços da jovem durante sua vida, tendo o propósito de espalhar a mensagem de Cristo e "alcançar os não alcançados"



Foto real do desenho encontrado atrás da cômoda do seu quarto, onde lê-se: "Essas mãos pertencem a Rachel Joy Scott e algum dia elas irão tocar os corações de milhares de pessoas."

Num dos diários de Rachel, um desenho foi encontrado: um par de olhos que regavam uma rosa com suas lágrimas. Eram exatamente treze lágrimas que caíam antes de tocar a rosa e se transformavam em algo parecido com gotas de sangue. Curiosamente, treze foram as vítimas assassinadas, naquele dia.


Rachel, recentemente, havia confidenciado que se sentia estranha, como se algo estivesse prestes a lhe acontecer, mas não sabia exatamente o que seria. E havia dito a um amigo que não conseguia se imaginar no futuro, formada, casada e mãe. Teria sido um pressentimento?

No fatídico dia, uma testemunha ouviu um dos assassinos gritar: "Vai, vai!". Então, os dois atiradores sacaram suas armas e começaram a atirar. E, dentre as primeiras vítimas, Rachel foi uma delas. Antes de atirar na jovem, o atirador teria perguntado se ela acreditava em Deus, e sua resposta foi: "sim".

Talvez, inconscientemente, a jovem soubesse o quão breve seria sua vida (apenas 17 anos), por isso sua ânsia de fazer tantas coisas e alcançar tantas pessoas quanto pudesse. Era o seu propósito.



Filme
"Uma Vida com Propósito" é um filme recomendadíssimo, independente da crença que se tenha. O filme mostra a rotina na escola Columbine, e como atitudes de ódio e bullying ainda permanecem por todo o mundo. É uma história que nos leva a repensar nossas atitudes durante a vida, e como muitas vezes ignoramos o sentimento do próximo. Se cada um de nós fosse mais gentil durante ações cotidianas, tudo seria diferente. Talvez, Rachel não tenha conseguido mudar o mundo todo, mas sem dúvida mudou o mundo interior de muitas pessoas.

"Eu tenho essa teoria que se uma pessoa puder sair do seu caminho para mostrar compaixão, então, iniciará uma reação em cadeia do mesmo." Rachel Scott


Vinicius Montardo Rosado



Vinicius Montardo foi um dos 242 mortos no incêndio na boate Kiss, no Rio Grande do Sul, em 2013. Ele foi um dos primeiros a sair da casa noturna em chamas, mas decidiu voltar para ajudar no resgate dos que não conseguiam sair. Segundo relatos de sobreviventes, Vinicius retirou 14 pessoas do local. Após seu ato heroico, Vinicius foi retirado por bombeiros desacordado, provavelmente por ter inalado muita fumaça. Infelizmente, morreu na ambulância, a caminho do hospital.

Vinicius era um jovem animado com o futuro, tinha planos e amava esportes. Parentes contam que ele também adorava festas, mas cancelava qualquer evento se algum amigo precisasse de sua ajuda. "Era um rapaz muito humilde. Nunca vi ninguém falar que não gostava dele", disse o pai. "Brincava que ele era como uma baleia: grande, forte e doce."

A princípio revoltado com a atitude do filho que acabou sacrificando sua própria vida, o pai reviu a opinião após refletir e conversar com a filha, também salva por ele. Ela lhe disse que ninguém seria capaz de impedi-lo, pois era a índole de Vinícius. Ele teria se arrependido de ter deixado todas aquelas pessoas morrerem.

O pai revelou que espera que o mundo tenha outros Vinicius. "Se o mundo tivesse esse tipo de solidariedade uma vez a cada seis meses, seria um lugar melhor para se viver", disse emocionado.


Desenho feito por um amigo de Vinícius


Yang Xiaoyun


A ativista chinesa, Yang Xiaoyun, tornou-se símbolo na luta dos direitos dos animais ao salvar cães e gatos de serem abatidos em um festival de carne em Yulin, na China. Ela teria pago US$24 mil para poupar 360 cães e dúzias de gatos 
do sacrifício e consumo humano.  

Devido à crescente indignação social por causa desse evento e à queda do negócio da carne de cachorro, muitos comerciantes optaram por vender os animais à ativista, em vez de sacrificá-los. Na realidade, esperávamos que se conscientizassem ao invés de exigirem um valor por eles. Segundo Yang, os animais são abatidos com marteladas na cabeça e estripados enquanto ainda vivos. Muitos usam da crueldade justamente para que ativistas paguem um preço inflacionado por eles.

Yang reflete o descontentamento com este festival bárbaro que compartilham com ela cada vez mais chineses, em um país onde muitas famílias têm cães como animais de estimação. Para ela, a tradição chinesa de se comer carne de cachorro deve ser abolida. "É um mau hábito, como nos tempos antigos, quando as mulheres tinham seus pés atados."

"Quero divulgar o amor das pessoas pelos cachorros mediante a construção de refúgios para estes animais e abrindo restaurantes vegetarianos.", assinalou Yang ao jornal oficial chinês. No entanto, seu plano de construir um refúgio para cães em Yulin foi rejeitado pelas autoridades chinesas, e ela foi obrigada a estabelecer uma casa de acolhida temporária para os animais em um local remoto, de onde eles seriam transportados para sua cidade natal, em Tianjin.

"A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser bom." Arthur Schopenhauer


Zilda Arns Neumann



Chamada de "Madre Teresa brasileira", a médica pediatra, sanitarista, fundadora e coordenadora das Pastorais da Criança e da Pessoa Idosa, Zilda Arns, viveu para defender e promover as crianças, gestantes e idosos, e construir uma sociedade mais justa, fraterna, com menos doenças e sofrimento humano. 
Costumava dizer: "Há muito o que se fazer, porque a desigualdade social é grande. Os esforços que estão sendo feitos precisam ser valorizados para que gerem outros ainda maiores."

Zilda Arns dedicou sua vida em prol da saúde pública brasileira, derrubando muitos mitos da medicina e da religião ao facilitar o acesso à saúde para comunidades carentes. Sua experiência na área da Saúde fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin para combater a 1ª epidemia de Poliomielite, criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.

Em 1983, a pedido da CNBB, e com o apoio do cardeal Dom Geraldo Magella, ela criou a Pastoral da Criança. com o objetivo de levar às comunidades de baixa renda a prevenção e o tratamento adequados para doenças e males que afligiam crianças e mães. Zilda desenvolveu a metodologia comunitária de multiplicação do conhecimento e da solidariedade, baseando-se no milagre da multiplicação dos peixes e cinco pães, que saciou a fome de cinco mil pessoas, narrado na Bíblia. Religiosa, trabalhava "para que todos tenham vida em abundância, como Jesus ensinou."

A questão do aborto

Zilda era absolutamente CONTRA. Para ela, "tentar solucionar os milhares de abortos clandestinos realizados a cada ano no País com a legalização do aborto é uma ação paliativa, que apontaria o fracasso da sociedade nas áreas da saúde, da educação e da cidadania e, em especial, daqueles que são responsáveis pela legislação no país." Ela via o embrião como um ser humano completo em fase de crescimento "tanto quanto um bebê, uma criança ou um adolescente."

Em 2004, Zilda recebeu da CNBB outra missão semelhante: fundar, organizar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Um trabalho realizado para promover a dignidade dos idosos de forma que possam ter acesso aos seus direitos e sejam valorizados. Ganhou reconhecimento internacional com os frutos do seu trabalho. Ela recebeu diversas condecorações, inclusive, como Cidadã Honorária de 10 estados e 35 municípios, por diversas instituições, universidades e empresas. Também chegou a ser indicada pelo governo brasileiro ao Nobel da Paz.

Em 2010, Zilda participava de uma conferência religiosa no Haiti, quando ocorreu um terremoto e, lamentavelmente, parte do teto da igreja onde estava desabou sobre ela. Momentos antes de sua morte, fazia um pronunciamento sobre como salvar vidas com medidas simples, educativas e preventivas. A seguir, um trecho emocionante de seu último discurso:

"Como discípulos e missionários, convidados a evangelizar, sabemos que a força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus, o amor, expresso na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos” significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade. Todo esse caminho necessita de comunicação constante para iluminar, animar, fortalecer e democratizar nossa missão de fé e vida. Cremos que essa transformação social exige um investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das crianças. Esse desenvolvimento começa quando a criança se encontra ainda no ventre sagrado da sua mãe. As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças.
Não é por nada que disse Jesus: “se vocês não ficarem iguais a estas crianças, não entrarão no reino dos céus” (Mt 18,3). E “deixem que as crianças venham a mim, pois delas é o reino dos céus” (Lc 18,16)." Zilda Arns


Entrevista de Zilda Arns concedida ao IHU Online: IHU Online - “Sou absolutamente contra o aborto” (unisinos.br)



Zilda Arns é um dos exemplos de bondade mais inspiradores citados aqui. Foi uma pessoa espiritualmente elevada que neste mundo deixou seu legado de caridade e amor; uma grande heroína por ter lutado incansavelmente pela vida de milhares de crianças, defendendo o direito à vida, combatendo a mortalidade infantil e a fome. 

Como ela e os outros exemplos mostrados, cujas obras nos renovam as esperanças em relação à humanidade, há muitos outros pelo mundo. Enfim, qualquer um de nós pode ser um herói: impedindo uma injustiça, sendo a voz da verdade, ou salvando uma vida. Então, que tal refletirmos um pouco sobre isso e tentarmos transformar nossas reflexões em boas ações? 








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